A cidade, de perto · 21 de agosto de 2026

Quatro histórias de Itajaí que explicam como a cidade cresceu

O aeroporto que virou Celesc, o trem que virou avenida, a igreja erguida sobre um cemitério e o primeiro balneário de Santa Catarina.


Histórias de Itajaí contadas por Lucas Souza

Eu passo os dias falando do futuro de Itajaí: obras, lançamentos, projetos. Mas conhecer uma cidade de verdade inclui saber de onde ela veio. A cidade cresceu por cima dessas histórias, e entender esse caminho ajuda a ler para onde ela ainda vai. Separei quatro que eu gosto de contar.

O aeroporto que ficava dentro da cidade

Antes de existir pista, existia improviso: em 1921 o primeiro avião tentou pousar na areia da praia e saiu destruído. Em 1927, um hidroavião amerrissou no Rio Itajaí naquele que é considerado o primeiro voo oficial da aviação comercial brasileira. Em 1949 a cidade ganhou o Aeroporto Salgado Filho, às margens da Rua Blumenau, recebendo Varig, Vasp e Cruzeiro do Sul em pistas de 850 e 950 metros. No dia 12 de março de 1970, um avião da Varig decolou daqui pela última vez; na volta, já pousou em Navegantes, que herdou a operação e leva o nome de Victor Konder, o mesmo itajaiense ligado ao voo de 1927. O prédio do antigo terminal ainda existe: é onde funciona a Celesc, na Rua Blumenau.

O trem que ia chegar à Argentina

No começo do século passado, a Estrada de Ferro Santa Catarina planejava cortar o estado de leste a oeste e seguir até a fronteira argentina. O quilômetro zero ficava aqui. Em 1907, um navio alemão atracou no porto trazendo 800 toneladas de material ferroviário e uma locomotiva apelidada de Macuca. Em 40 anos, foram concluídos só 56 quilômetros de trilho, e em 1971 o trem fez a última viagem pelo Vale. O sonho da Argentina ficou no papel, mas as marcas estão no seu caminho até hoje: a antiga estação virou a Praça Dalmo Feminela e o Teatro Municipal, e o leito dos trilhos virou a Avenida Vereador Abraão João Francisco.

A Porta do Céu

A Igreja Matriz levou quase 50 anos para sair do papel. Foi erguida sobre um antigo cemitério, teve a obra parada pela Segunda Guerra, e os sinos vieram da Alemanha, desembarcando pelo nosso porto. Na inauguração, em 1955, ganhou o apelido de Porta do Céu. O interior é considerado uma das decorações mais bonitas de Santa Catarina.

A República de Cabeçudas

Cabeçudas foi o primeiro balneário de Santa Catarina, muito antes de Balneário Camboriú virar referência. Quase foi escolhida para receber o porto, e por décadas foi conhecida como a República de Cabeçudas: ponto de encontro de banqueiros, empresários e políticos que decidiam os rumos do estado à beira-mar.

Se você gosta de entender Itajaí nesse nível de detalhe, é esse olhar que eu tento levar também para o mercado: a cidade explicada de perto, bairro por bairro.

Fontes: Itajaipedia (textos de Magru Floriano e Thiago Floriano) e registros históricos locais.


Quem escreve

Lucas Souza

Corretor de imóveis (CRECI 43578) com atuação 100% focada em Itajaí/SC e especialização no bairro Fazenda. Atendo pela Léo Rostro Imóveis, da moradia ao investimento. Conheça meu trabalho ou me chame no WhatsApp.